Cover Dose: Arcade Fire

Aqui estamos novamente com nossos canadenses favoritos para ouvir música boa. Mas dessa vez a banda indie monumental Arcade Fire não está sozinha, pois trouxemos também artistas fenomenais que se arriscaram a interpretar canções famosas deles e vice versa.

Hoje o #CoverDose é seu, Arcade Fire.

Peter Gabriel – “My Body is a Cage”


Quando achávamos que era impossível criar um clima de tensão e angústia maior do que a criada pelo Arcade Fire em “My Body is a Cage”, Peter Gabriel resolveu aparecer para fazer um incrível cover orquestrado da canção, que eleva ainda mais o climão original.

Recomendo, inclusive, o álbum completo de Peter Gabriel onde “My Body is a Cage” está incluso. De 2010, “Scracth My Back” é inteiro feito de covers e possui uma playlist sensacional, na qual Peter homenageia Radiohead, Regina Spektor, Bon Iver, David Bowie, entre outros.

Foo Fighters – “Keep the Car Running”


Se você tem a curiosidade de saber que banda que Dave Grohl, um dos maiores figurões do rock, ouve assim que acorda, aqui estou eu com a resposta dessa importante dúvida que lhe aflige: sim, é Arcade Fire.

Mais precisamente uma música: “Keep the Car Running”. Durante a turnê do álbum “Echoes, Silence, Patience & Grace” (2007), a banda Foo Fighters incorporou em sua setlist esta música do Arcade Fire, momento em que Grohl confessou nos palcos que a escuta todas as manhãs assim que levanta da cama.

Bem, basta sentir a energia boa que a canção passa com seus rápidos acordes que fica fácil de entender essa escolha. E vamos ser sinceros, ela caiu como uma luva com o vocal de Dave Grohl, que homenageou muito bem sua “banda matinal”. O cover de “Keep the Car Running” foi incluso no “Let it Die EP” de 2008.

Arcade Fire – “Maps” (Yeah Yeah Yeahs cover)


Agora vamos virar o jogo e ver quem o Arcade Fire admira e se inspira. Começando pela sensacional banda nova iorquina liderada por Karen O, Yeah Yeah Yeahs.

Maps” é uma das canções mais doces da banda, que costuma ser mais roqueira em seu repertório com seus riffs agitados. Presente no primeiro álbum do YYY (“Fever to Tell”, meu favorito deles), “Maps” foi gravada pelo Arcade Fire em uma sessão ao vivo da rádio britânica BBC. Para quem conhece a original, o começo da versão do AF soa muito estranha, cantada em um tempo diferente daquele criado pro Karen. Mas o cover vai crescendo e se tornando envolvente, e a dupla vocal feita por Regine e Win dão uma nova personalidade pra música, que eu particularmente gosto bastante.

Arcade Fire – “Five Years” (David Bowie cover)


A relação entre Arcade Fire e David Bowie é muito maior do que parece. Primeiramente podemos dizer que Bowie apadrinhou os canadenses ainda antes deles fazerem sucesso, quando lançaram “Funeral” (2004). Há vários registros de Bowie dizendo que admirava a banda e que as pessoas deveriam ficar de ouvido neles, pois pareciam muito talentosos.

O Arcade Fire, como não podia deixar de ser, também sempre listou Bowie como uma de suas principais inspirações e todo esse “namoro” resultou em algumas parcerias. Uma delas foi quando Bowie compôs a música “Reflektor” junto à banda, principal canção do quarto disco do AF, de 2009. Mas antes ainda, em 2005, eles gravaram um EP ao vivo juntos, cantando o repertório de ambos os artistas.

Deste encontro é que destacamos a música “Five Years”, sucesso de Bowie, que ficou ótima com os arranjos do Arcade Fire.

Um mês após a morte de Bowie, o Arcade Fire organizou um carnaval de rua em homenagem ao cantor, cantando seus sucessos juntos a seus fãs. Na ocasião, Win Butler disse que foi ele que tornou o Arcade Fire possível. Mais um motivo para todos nós agradecermos a existência de David Bowie!

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Recomendo: Hinds

Quando soube que a banda espanhola Hinds viria fazer show em São Paulo, fiquei super feliz porque teria a oportunidade de ver uma banda que eu amo tocando um álbum que eu amo praticamente na íntegra. Corri aqui no blog para ver o que eu já tinha escrito sobre elas e fiquei bastante triste quando eu percebi que ela nunca havia sido uma pauta grande por aqui (embora o álbum “Leave me Alone” tenha sido eleito como um dos melhores de 2016 por mim), mas resolvi aproveitar a oportunidade para falar sobre o show também.

Tudo começou lá em 2011 com as amigas Carlotta Cosials e Ana Perrote que começaram a tocar violão juntas, fazendo algumas músicas cover de artistas que gostavam, na cidade de Madrid (Espanha). Elas foram ficando melhores nos seus instrumentos, evoluindo, então resolveram que se chamariam Deers e fariam suas próprias músicas. No começo até conseguiram gravar algumas coisas revezando os instrumentos, mas viram que para fazerem shows precisariam de outras pessoas para tocarem junto com elas, foi aí que chamaram a amiga Ade Martin para o baixo e encontraram Amber Grimbergen para a bateria. Ao lançarem algumas coisas no YouTube, ainda como dupla, descobriram que o nome Deers já estava sendo usado por uma banda então passaram a ser Hinds, que é o nome da fêmea do cervo (deer, em inglês).

Foi em 2014 que elas começaram a tocar mais ativamente, lançar singles, vídeos e viajar pelo mundo em turnês. Apesar de espanholas, elas cantam em inglês e talvez seja isso que fez com que elas ficassem mais populares fora da Espanha. Ganharam visibilidade na mídia com críticas positivas feitas por veículos como as revistas musicais NME, Pitchfork e o jornal The Guardian. Também integraram o setlist de diversos festivais musicais na Europa. Se antes do primeiro álbum sair as meninas já estavam ganhando relevância no cenário musical, imaginem quando o “Leave Me Alone” foi lançado em 2016? Sucesso instantâneo.

As integrantes são jovens (todas na casa dos 20 anos) e querem se divertir. Isso reflete em todos os aspectos, desde as letras das músicas, o conteúdo que elas divulgam nas redes sociais até a postura delas no palco. O show conta com várias coreografias e brincadeiras (você pode ver nos vídeos abaixo, filmados por mim então perdoem a qualidade do vídeo porque foram feitos no celular mesmo).

Os clipes também são muito divertidos e alegres. Meu favorito é o de “Davey Crockett”:

Antes e depois dos shows elas falaram com os fãs muito animadamente, tiraram fotos, aprenderam palavras em português e até beberam com quem levou bebida para elas (não faltaram garrafas de Catuaba no Sesc Pompeia). Em nenhum momento elas assumiram aquela famosa pose arrogante de rockstar, pelo contrário, o tempo todo elas foram simpáticas, espontâneas e estavam focadas em tocar suas músicas de uma forma super animada e divertida.

Em uma sociedade que dita o que as mulheres devem fazer, ser e querer, ver uma banda de garotas jovens tocando um rock autoral, animado e livre é muito inspirador. É um daqueles shows que quando acaba já me dá uma vontade de comprar uma guitarra e começar a minha própria banda com as minhas amigas.

Entre suas referências musicais, as Hinds citam The Strokes, Black Lips, Ty Segall, The Parrots, The Vaccines e Mac DeMarco. O som que elas fazem é um indie rock que fica entre garage rock e garage pop (as músicas novas que elas tocaram no show, que estarão no segundo álbum, podem ser consideradas ainda mais pop que o material já lançado). A produção musical da banda é independente, apesar de estar ligada a selos musicais (Lucky Number, Burguer Records, Mom + Pop), as decisões e meios de produção são administrados por elas e, querendo ou não, a iniciativa Do-It-Yourself da banda reflete em uma estética e sonoridade lo-fi.

Apesar de ser uma banda formada apenas de garotas, elas rejeitam o rótulo de girl band e desejam ser respeitadas pela música que fazem. Não precisam ser colocadas em uma categoria especial de rock de mulher, assim como Sleater-Kinney antes delas, querem ser vistas e conhecidas como uma banda de rock, como qualquer outra, porque são capazes de tocar tão bem quanto qualquer outro grupo composto por homens e não aceitam ser menosprezadas apenas pelo gênero das integrantes. Elas rejeitam o rótulo de “girl band” mas não rejeitam nenhuma ideia feminista. Em entrevista para o Diário de Pernambuco, estado onde fizeram show também, a vocalista e guitarrista Carlotta Cosials afirmou que desapontaria a todos que esperam um estereótipo de mulheres perfeitas e comportadas. Confira o vídeo que elas fizeram em uma campanha contra o assédio em Madrid.

“Leave Me Alone” (2016)

O primeiro álbum das Hinds já começa com um aviso: “me deixa em paz”. É direcionado a todos aqueles que acham que podem inventar regras sobre como garotas precisam se comportar ou fazer música. Elas vão fazer tudo do jeito delas.

A música de abertura é “Garden”, minha favorita. Também foi com ela que começaram o show em São Paulo. A abertura forte e marcante, que combina contrastes de acordes graves, baixo marcado e solos agudos com melodias vocais menos convencionais, mostra o estilo da banda. Elas não vão passar despercebidas.

A música já dá o tom que o álbum inteiro tem. Os temas frequentemente são relações amorosas – boas, ruins, de uma noite só – e ambientadas em clima de festa, diversão e muitos drinks. A dinâmica entre os vocais é um diferencial da banda. Ela mostra o quanto Ana e Carlotta estão entrosadas e bem ensaiadas. As guitarras também seguem as melodias vocais que se entrelaçam, passam uma por cima da outra, vão em direções opostas até se encontrarem novamente.

O próximo álbum das Hinds será lançado em 2018 e já estou ansiosa para ver que direção a banda vai tomar daqui para frente, mas acredito que virão coisas boas se elas continuarem tocando com amor e se divertindo enquanto fazem isso.

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Meu gosto musical em 10 clipes

No dia 1 de outubro o álbum “The Execution of all Things” da banda Rilo Kiley completou 15 anos. Há pelo menos 10 anos este álbum faz parte da minha vida e foi um dos mais marcantes nela. Eu, Rúvila, cantava (ainda canto) junto com a Jenny Lewis e acredito que ela transformou meus sentimentos em música e escreveu tudo aquilo de dentro da minha mente, como um bom álbum, me deu vocabulário para questões que eu não conseguia expressar na minha adolescência.

Eu conheci Rilo Kiley no ano de 2007 por causa da série Grey’s Anatomy. “Portion for Foxes” é a primeira música que toca na primeira temporada da série e assim que eu ouvi pela primeira vez já gostei muito por ser uma mulher cantando em um ritmo que eu gostava. Por causa de uma série de TV que eu nem vejo mais eu devorei a discografia de uma banda que eu considero top 5 das minhas favoritas. Ainda voltarei para falar mais de Rilo Kiley por aqui, mas o assunto de hoje não é esse.

Pensar nisso me deixou nostálgica. Só fui ter internet banda larga (o nada querido speedy) em casa no final de 2006 então antes disso eu nem sabia como baixar música e tudo o que eu consumia era pelo rádio ou pela televisão, maioria por meio dos clipes da MTV. Quem nunca ligou para o Disc MTV? Eu liguei muitas vezes porque era assim que eu tinha a oportunidade de ouvir (e ver) músicas que eu gostava. Também tinha a possibilidade de gravar a famosa fita cassete (também dava pra ligar pra 89 pra pedir música) ou pedir para algum amigo com internet e gravador de CD.

Obviamente é muito melhor hoje em dia com o Spotify e a possibilidade de descobrir milhares de músicas e bandas por mês, assim como o YouTube que permite que a gente veja shows em qualquer parte do mundo, além dos clipes, claro.

Atualmente eu só vou atrás de clipes de bandas que eu amo, mas cresci assistindo vídeos de músicas o tempo inteiro. Tenho algumas lembranças bem fortes de alguns, seja por ter visto muitas vezes ou pela história que o vídeo contava. Nessa viagem aos tempos de criança, eu resgatei alguns clipes que me marcaram muito e ajudaram a construir meu gosto musical.

Britney Spears – Toxic


Esse clipe nem tem tanta coreografia, mas lembro de passar muito tempo dançando junto quando eu era criança. Adoro como a Britney é super badass e femme fatale nesse vídeo e acredito que seja por isso que eu gostava tanto quando ele passava na MTV.

Nirvana – Smells like teen spirit


Parece meio louco listar Nirvana logo depois de uma diva pop, mas foi com Nirvana e Linkin Park que eu comecei a entender o que era rock e gostar disso. Como toda pré-adolescente eu tinha o meu crush e ele era o Kurt Cobain. Como não amar um clipe com jovens fazendo festa na escola? Esse clipe não passava no Disc MTV na época em que eu assistia caçando meus clipes, mas ele estava bem gravado em um VHS de um especial da banda que fiquei esperando até tarde da noite para ver. O Nirvana foi uma das primeiras bandas que eu considerei a minha “favorita”.

Foo Fighters – My Hero


Os clipes do Foo Fighters sempre foram o máximo para mim principalmente por conta das histórias que eles desenvolvem. “My Hero” é um dos que me deixava muito emocionada. Acredito que nem o crítico mais feroz do FF tem o que reclamar desse vídeo: o cara entrando e saindo do prédio em chamas com bebês no colo enquanto Dave Grohl canta “lá vai o meu herói”. É para emocionar mesmo e marcar a adolescência de qualquer um. Também corria para frente da televisão quando começava “Long Road to Ruin”, o maior drama médico da música.

blink-182 – What’s My Age Again?


Me diga quantas vezes você assistiu a esse clipe e eu te digo qual é a sua idade. Eu queria ser uma adolescente rebelde então amava muito atos de rebeldia como esse clipe. E, obviamente, aos 13 anos eu achava que aos 23 eu seria bem sucedida, já teria casa própria, carreira de sucesso e tudo o mais. Muitos anos mais tarde, eu ainda penso bastante na música, mas os versos que eu mais gosto são:

“No one should take themselves so seriously
With many years ahead to fall in line
Why would you wish that on me?”

Green Day – Boulevard of Broken Dreams


Você foi emo? Eu fui. Apesar de Green Day não ser uma banda emo especificamente, era uma daquelas que eu gostava de ouvir para chorar. Eu estava aprendendo inglês quando saiu esse clipe e pedi para a professora levar a letra para a aula então foi provavelmente uma música que eu entendi logo de cara já com a letra e tradução. Achava genial, assim como todo o “American Idiot” do Green Day, e amava a pose de bad boy triste do Billie Joe Armstrong. Esse foi o último álbum da banda que amei com todo o meu ser e foi um grande marco para mim. Eu liguei muito para o Disc MTV para ver os clipes do “American Idiot” na TV (nesta época eu também estava completamente apaixonada por Red Hot Chili Peppers).

The Cardigans – Been it


Entre Nirvana e Death Cab for Cutie, The Cardigans foi minha banda favorita. Foi aquela que me fez conhecer a saudosa comunidade “Discografias” no Orkut e com ela eu passei a entender melhor o conceito de álbuns (nessa época eu já tinha um MP3 player de 512MB). The Cardigans passava muito na MTV com “My Favourite Game”, “Lovefool” e “For What’s Worth”, mas o meu clipe favorito era o de “Been it”, que eu via sem parar porque comprei um DVD de show da banda (eu era muito fã) e tinha esse clipe maravilhoso, diga-se de passagem.

Death Cab for Cutie – A Movie Script Ending


Em 2008 eu descobri Death Cab for Cutie, a banda da minha vida por muitos anos. Lembro muito bem que eu passava muitas tardes no Orkut lendo sobre as músicas na comunidade “Analisando Death Cab For Cutie”, em que os participantes faziam interpretações das letras que podem ser bem complexas. E eu fui atrás de todos os vídeos, assisti tudo possível e muitas vezes. Acho que meu favorito é o de “Sound of Settling”, mas o de “A Movie Script Ending” sempre foi um daqueles que me emocionava demais e assistir ao clipe me fez gostar ainda mais da música.

Rilo Kiley – Portions for Foxes


Como eu disse no começo, eu conheci Rilo Kiley por essa música. Eu sempre achei o clipe muito bizarro, mas ele é de certa forma hipnótico porque tem a Jenny Lewis tocando guitarra. Eu já amava mulheres na música, mas a Nina Persson do The Cardigans, por exemplo, só canta; a Dolores O’Riordan do The Cranberries, que eu também amava, tocava violão, mas de um jeito bem mais leve. A Jenny subia no palco, tocava guitarra e cantava “I’m bad news”: para mim isso era incrível e foi o início de um amor por bandas com mulheres cantando, tocando e sendo incríveis. Ainda sobre Rilo Kiley, o clipe de “Silver Lining” também é maravilhoso.

Kate Nash – Foundations


Eu não sei muito bem o que é tão viciante sobre esse clipe, mas eu não conseguia parar de ver quando eu o encontrei. Foi muito legal descobrir a Kate Nash aos 16 anos e sinto que eu meio que fui crescendo e acompanhando as fases dela com a minha própria vida, o que faz bastante sentido já que ela começou na música bem nova e temos poucos anos de diferença na idade. Ver a Kate Nash no Brasil foi um momento muito especial para mim, assim como aprender a tocar violão usando algumas músicas dela para treinar. Na mesma época que a Kate Nash surgiu com Foundations, a Lilly Allen apareceu com vários clipes muito legais também, como “Alfie” e “The Fear”, que é um hino até hoje.

Nada Surf – I Like What You Say


Para encerrar a lista, esse é um clipe que eu acho muito ruim. Talvez ele tenha me marcado por isso, mas sempre desejei que uma das minhas músicas favoritas da vida tivesse um clipe melhor. Além de ser meio esquisito acompanhar a história de um pedaço de papelão, é muito triste que a papelão mocinha já tenha namorado (papelão marombado). Quando “I Like What You Say” toca eu imediatamente sou transportada para outras cenas da minha vida que resultariam em um vídeo bem mais emocionante, mas não dá para deixar de fora essa banda que é uma trilha sonora tão importante da minha vida. O meu clipe favorito deles é o de “Rushing”, uma história de amor muito bonitinha, e também adoro “Popular” que entra na categoria de vídeos em escolas.

Temporalmente, esses clipes representam tudo o que eu via e muito e gostava até mais ou menos o ano de 201o, que foi quando eu deixei um pouco de lado esse costume de assistir a clipes com frequência.

Menção honrosa: The Breeders – Cannonball

Em 2013 o álbum “Last Splash” completou 20 anos e tive a honra de ver The Breeders ao vivo, o que foi uma experiência incrível. O clipe de “Cannonball” foi o responsável por eu ter conhecido a banda e ter visto o sorriso da Kim Deal de perto.

Atualmente eu vejo bem menos clipes e muito mais vídeos de shows, com foco nas bandas que eu gosto mais então meu repertório e minhas memórias afetivas não estão muito atualizadas. Nessa lista eu valorizei os que foram mais formativos para mim, qualquer hora eu volto para fazer uma nova lista com clipes que tenho visto recentemente.

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Discográfico: The National

Estava passeando pelo Killian’s e tive uma descoberta chocante. Quase não falamos sobre The National aqui no blog. Uma aparição curta em um #conexão e, por enquanto, só.

The National é, sem sombra de dúvidas, uma de minhas bandas favoritas da atualidade. E tentar descrevê-la aqui nessa introdução me fez lembrar o motivo da banda quase ter sido invisível nesse humilde espaço da internet: é muito difícil, para mim, explicar em palavras o quanto essa banda é incrível.

Mas chegou a hora de superar essa barreira. O discográfico do dia é seu, The National.

“The National” e “Sad Songs for Dirty Lovers”

A história do The National começa de maneira despretensiosa, no ano de 1999 em Ohio, Estados Unidos. Quando Matt Berninger, o vocalista, convidou seus amigos de infância para formar uma banda, basicamente todos os membros já tocavam em duas ou três outras bandas ao mesmo tempo, inclusive o próprio Matt. Eram bandas de garagem, nenhuma que tenha garantido seus quinze minutos de fama, e o The National poderia ser mais uma delas.

O primeiro álbum homônimo, lançado em 2001, captura um pouco desse clima despretensioso. Sem equipamentos sofisticados, o som é um tanto lo-fi, as músicas são mais animadas e ainda não possuíam a personalidade que marcou a banda nos anos seguintes. No entanto, o álbum agradou bastante a crítica local e principalmente os integrantes da banda, que encerraram seus grupos anteriores e resolveram permanecer apenas no The National.

E como saber que uma banda está sendo bem sucedida? Quando seus membros largam seus empregos para se dedicar exclusivamente à música. Sim, foi após o lançamento do segundo álbum que os cinco músicos resolveram que era possível viver apenas de sua arte e isso só aconteceu porque “Sad Songs for Dirty Lovers” (2003) elevou a banda para um patamar mais respeitável dentro do cenário musical.

Matt, por exemplo, era um publicitário formado em design gráfico. Foi um movimento arriscado largar tudo, no entanto, “Sad Songs…” já mostrava que a banda tinha encontrado um caminho, um som mais particular, valorizando cada instrumento e trabalhando com melodias mais sensíveis. Era como se soubessem o que estava por vir no terceiro álbum e por isso tinham a certeza que valia a pena apostar todas as fichas na banda.

“Alligator” e “Boxer”

E o que estava por vir? Um estrondoso sucesso e reconhecimento com o lançamento de “Alligator” (2005). Podemos dizer que neste momento o The National entrou no mapa. Revistas como NME e Pitchfork elencaram o álbum como um dos melhores do ano e músicas como “All the Wine” e “Secret Meeting” estouraram nas rádios. Particularmente, considero as melhores do álbum as canções “Karen” e “Baby We’ll be Fine”.

E então veio o meu álbum favorito de toda essa linda discografia: “Boxer” (2007). Creio que esse disco consolida aquela “personalidade” que eu citei anteriormente, que esteve ausente no primeiro álbum. A forma que o teclado melancólico se integra à voz de barítono de Matt, a percussão perfeita de Bryan Devendorf, criando um clima sombrio para contrastar com a sutileza dos instrumentos de corda e toda a beleza das melodias, que ganham ainda mais forças quando ouvidas em conjunto no álbum. É tudo maravilhoso.

Tenho tanto carinho por “Boxer” que não consigo escolher minhas favoritas. Devem ser dez, das doze que compõem o disco. Mas, com muita dificuldades, deixo aqui como destaques: “Slow Show”, “Mistaken for Strangers”, “Ada” e “Squalor Victoria”.

“High Violet” e “Trouble Will Find Me”

O reconhecimento internacional veio com “High Violet” (2010). Bem, os dois álbuns anteriores certamente renderam boas turnês mundiais e presença em distintos festivais importantes espalhados por aí, porém podemos dizer que a banda passou a ser vista como o fenômeno que é atualmente em todo o globo com este belíssimo quinto disco.

“High Violet” praticamente funciona como uma sucessão direta de “Boxer”, já que as músicas desses dois álbuns dialogam muito bem entre si. Podemos dizer que é um tanto mais sofisticado que o anterior, já que conta com novos instrumentos, como saxofone, violino, trombeta, entre outros. Mas nada que tira o protagonismo dos “principais”. Os arranjos entram de forma muito orgânica e apenas ajudam na atmosfera das músicas. Um bom exemplo para entender isso é ouvir a canção “England”, onde cada um desses instrumentos entra em um determinado momento, encorpando a música até um final explosivo.

Outros destaques do álbum: “Conversation 16”, “Afraid of Everyone”, “Terrible Love” e “Bloodbuzz Ohio”.

Em “Trouble Will Find Me” (2013) a banda já tinha o mundo do rock alternativo em suas mãos e por isso foi muito fácil conquistar a todos novamente. Podemos dizer que eles “seguiram a fórmula”, sem muitas inovações, porém foram precisos como sempre. Confesso que foi um álbum que ouvi tantas vezes seguidas que acabei até enjoando e, em retrospecto, acabou se tornando o que menos ouço da discografia.

Mas isso não altera em nada sua beleza. Conheço muita gente que inclusive o tem como favorito. Destaco aqui: “Fireproof”, “Demons” e “I Need My Girl”, a música mais executada da história da banda, segundo o Spotify.

“Sleep Well Beast”

Lançado no começo deste mês de Setembro, “Sleep Well Beast” (2017) resolveu não seguir a tal fórmula. Com guitarras mais protagonistas, batidas à la Radiohead e um clima mais roqueiro e soturno, o sétimo álbum do The National é um trabalho que venho me apaixonando desde que a banda começou a soltar seus primeiros singles. Ainda preciso digeri-lo melhor como conjunto, porém já é possível dizer que eles não decepcionaram com suas sutis reinvenções, mantendo a essência encantadora que levou a banda a ser uma das mais aclamadas da atualidade.

E a melhor oportunidade para absorver esse álbum é ouvindo suas músicas pessoalmente. Sim, o The National estará no Brasil para o Lollapalooza de 2018 e toda essa beleza poderá ser desfrutada diante de nossos olhos. Nos vemos lá?

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Resenha: “Mais Pesado que o Céu: uma Biografia de Kurt Cobain”

“Mais Pesado que o Céu: uma Biografia de Kurt Cobain” foi escrito em 2001 pelo jornalista Charles R. Cross e é considerado um dos livros mais importantes sobre a história do artista e de sua banda, Nirvana. Além de fatos coletados com a família do artista e imprensa, o autor passou anos entrevistando pessoas relacionadas a Kurt Cobain e ao Nirvana. O resultado é um livro muito bem escrito, com a narrativa envolvente, contexto histórico interessante e muitas desconstruções de mitos que todos já ouvimos sobre a vida deste músico tão polêmico.

O título do livro descreve muito mais que apenas o nome da turnê feita na Europa pelo Nirvana e a banda TAD, ele resume perfeitamente o que eu senti quando li a última palavra do livro e o fechei. Foi pesado. Senti o peso do que poderia ser o céu (ou o inferno) bem na minha cara. Mais do que a história de um cantor, um frontman ou um artista, esse livro traz a história de alguém com muita dor, que não consegue aceitar ajuda ou ser ajudado.

Vamos começar desromantizando o suicídio. Da forma como Courtney Love coloca, é realmente algo “imbecil” acreditar na ideia de que é melhor “queimar do que ir se apagando”. Não podemos também menosprezar a dor de quem comete suicídio. O objetivo deste texto não é de forma alguma julgar uma vida ou morte, nem mesmo analisar este aspecto da narrativa, mas falar um pouco sobre o que pode ser encontrado ao ler “Mais Pesado que o Céu”. A depressão e o vício químico foram duas coisas que o levaram a pensar que não havia nada melhor em sua vida ou seu futuro que a morte. A fama também é um fator que pesou muito na equação. O suicídio é resultado de uma dor profunda.

[Se você sente ou já sentiu algo do tipo, busque ajuda profissional. Estamos no mês de conscientização e prevenção do suicídio (Setembro Amarelo) então busque informações sobre o assunto, mesmo que não seja o seu caso, você pode ajudar um amigo ou familiar que está com problemas de saúde mental.]

Dito tudo isso, não acredite nunca e de forma alguma que transtornos psicológicos podem fazer de alguém um artista melhor e, por conta disso, não se deve passar por tratamentos. Não romantize dores emocionais como forma de alcançar a criatividade: artistas são melhores se estiverem saudáveis. Qualquer pessoa será melhor se estiver saudável, basta pensar que um problema de saúde mental é um problema de saúde e o tratamento é indispensável. A exemplo de Kurt Cobain, quando as crises foram aumentando, ele deixou de cumprir várias obrigações com a banda, como shows e ensaios, e o ritmo de produção despencou em queda livre. O último disco do Nirvana, “In Utero”, foi realizado com muito custo e principalmente por conta dos esforços dos outros membros da banda, Krist Novoselic e Dave Grohl. Novamente, procure ajuda profissional caso você ache necessário.

Agora vamos falar do livro em si.

O prólogo de “Mais Pesado que o Céu” sugere que foi no mesmo momento em que a carreira de Kurt Cobain atingiu seu ápice, sua vida pessoal chegou ao fundo do poço, com uma overdose que seria uma de suas muitas experiências de quase morte. O ano era 1992, dois antes de sua morte final. Ele tinha apenas 24 anos. Destaco um trecho que acredito resumir bem a narrativa:

No curso de um único dia, Kurt havia nascido para os olhos do público, morrido na privacidade de suas próprias trevas e sido ressuscitado pela força do amor. Foi um feito extraordinário, implausível e quase impossível, mas o mesmo poderia ser dito para grande parte da sua vida extravagante, a começar pelo lugar de onde ele viera.

A partir desta introdução bastante chocante, o autor volta para o ano de 1967, em que Kurt nasce no estado de Aberdeen, em Washington (EUA). Filho de pais jovens, recém formados no ensino médio, as relações familiares de Kurt são bastante exploradas pelo autor. O divórcio de seus pais foi bastante duro para ele, que também não aceitou muito bem os novos parceiros, principalmente os namorados da mãe e acabou indo morar com o pai. A relação tornou-se mais complicada quando o seu pai se casou novamente. A partir daí Kurt pulou de casa em casa, sem endereço fixo, acabava dormindo em garagens e cadeiras de hospital. As músicas do Nirvana abordam a vida precária que teve. Uma delas é “Serve the servants”, que fala sobre sua relação com o pai:

As my bones grew they did hurt
They hurt really bad
I tried hard to have a father
But instead I had a dad
I just want you to know that I
Don’t hate you anymore
There is nothing I could say
That I haven’t thought before

Outro ponto a se destacar é que Kurt tinha uma família muito grande e muitos membros tinham envolvimento com música, o que possibilitou o contato dele com instrumentos musicais desde cedo. Segundo Cross, Kurt sempre foi um artista. Desenhava muito bem, conseguia tirar notas sozinho em instrumentos e tinha interesse em escrever (costumava manter diários), no entanto, nunca gostou muito da escola, inclusive nunca terminou o ensino médio. A família sempre teve dificuldades financeiras e as cidades que habitou em sua infância eram compostas principalmente por pessoas de classes baixas. Foi um crescimento difícil, que o ensinou a levar a vida no meio de muitas adversidades, principalmente na pobreza, violência, abuso de drogas e álcool por parte de adultos ao seu redor, naturalizando todos estes comportamentos.

Kurt sempre teve amigos que o ajudaram muito durante sua trajetória. Um deles é Krist Novoselic, que sempre foi um amigo e companheiro de banda, mesmo quando ela ainda nem tinha nome. Decidir por “Nirvana” levou tempo e eles se apresentaram muitas vezes com outros nomes. A cena musical do local onde viviam era bastante precária e refletiu obviamente no som deles: cru, rápido, cortante. As composições já transmitiam um pouco da mente atordoada de Kurt, com muitos versos confusos e indecifráveis. O início de carreira contou com constante mudança de bateristas, que poderiam ser demitidos a qualquer momento de uma forma pouco clara: Kurt parava de chamá-los para os ensaios.

Um ponto de mudança na vida de Kurt foi mudar de cidade, indo morar em Olympia (Washington) com sua namorada Tracy Marander. Sem diploma do ensino médio, Kurt trabalhou em redes de fast-food e empresas de limpeza, empregos que não considerava bons o suficiente para ele, que buscava viver de sua arte. A rotação de empregos era grande e por longos períodos a casa foi sustentada por Tracy. No entanto, a cidade de Olympia era um local de intensa movimentação artística e intelectual. Com uma cena punk do-it-yourself e a cena grunge pulsando, Olympia é um terreno fértil para um artista como Kurt. Já falamos aqui sobre como a cidade foi o berço do movimento Riot Grrrl. O Nirvana estava inserido neste contexto também, a cena punk de Oly. A partir daí Kurt foi construindo sua carreira com bastante ambição e dedicação, apesar de não assumir isso.

De sua primeira demo até a apresentação citada no início foram alguns anos, duas namoradas, muitos shows (inclusive no Brasil, em 1992), muitas drogas, dores de estômago crônicas insuportáveis, algumas internações para desintoxicação, inúmeras brigas e três discos que tiveram sucesso em vendas. O meio disso tudo foi contado por Charlie R. Cross de forma sensível e envolvente, com muito respeito a memória de Kurt e as pessoas que o apoiaram em sua vida. “Mais Pesado que o Céu” é uma intensa investigação da vida e personalidade de Kurt Cobain, talvez uma das celebridades mais intrigantes dos últimos tempos. A leitura é fluida e bastante interessante para quem gosta de livros de memórias e biografias.

Caso estivesse vivo, Kurt completaria 50 anos em fevereiro deste ano. A data não passou em branco. Várias homenagens foram feitas a ele e está circulando pelo mundo a exposição “Nirvana: Taking Punk to the Masses”, ou seja, “Levando Punk para as Massas”. Acredito que este seja o principal legado do Nirvana na história da música nos anos 90: levou o seu estilo punk para as rádios de todo o mundo e popularizou o grunge, com seu som sujo e mais distorcido, mas que une elementos do hardcore, heavy metal, punk e indie rock. O Nirvana influenciou uma geração de músicos e mostrou, para o bem ou para o mal, que é possível uma banda independente alcançar sucesso comercial e atingir o mainstream.

Here we are now, entertain us!

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A Origem do Indie Rock #7: Interpol – “Turn on the Bright Lights”

Essa é a história de como a banda americana Interpol superou todas as comparações com Joy Division para se tornar uma das protagonistas do rock alternativo no começo dos anos 2000. Essa é a história do espetacular disco de lançamento “Turn on the Bright Lights”.

Tudo bem, eu entendo. O uso do verbo “superar” pode ter causado uma impressão equivocada aqui. Não estou, de forma alguma, querendo dizer que ser relacionado a Joy Division seja uma coisa ruim. A banda é um clássico dos anos 70 e ter a capacidade de soar como ela aos ouvidos dos críticos com certeza é um elogio. No entanto, muitas bandas que estão começando às vezes são atadas a este tipo de comparação, sendo constantemente vistas como uma rememoração de um fenômeno que já passou, não conseguindo se libertar deste ciclo. Não é o caso do Interpol, por isso podemos falar de superação.

Aliás, comparações realmente não faltaram. Quando “PDA” foi lançado como primeiro single do álbum exatamente quinze anos atrás, em agosto de 2002, não só Joy Division foi lembrado, como também The Cure e The Smiths. Por esta escalação não precisa nem dizer que o som do Interpol traz aquele clima soturno e melancólico através de uma linha de baixo marcante, sem deixar de lado uma guitarra explosiva e potente, que cresce nos momentos certos das músicas, certo?

Já conversamos sobre a banda em si anteriormente em nosso “Recomendo”, por isso hoje focaremos em “Turn on the Bright Lights”. Até mesmo porque é impressionante a maturidade deste álbum para um disco de estreia.

“Turn on…” possui uma coerência invejável entre as canções, assim como uma qualidade de som impressionante. Não sou especialista em questões técnicas, porém fico admirado com a masterização do álbum, gosto de ouvir “Obstacle 1”, por exemplo, prestando atenção em cada instrumento, como a guitarra da introdução abre espaço aos poucos para a entrada da bateria, como o baixo se impõe na hora certa, como a voz do Paul Banks aparece limpa e se integra ao clima da música com naturalidade… É tudo muito bonito e bem feito, um trabalho meticuloso de cada integrante da banda, produtor, engenheiro de som, entre outros, que merecem palmas quando descobrimos que tudo foi feito por um selo independente (Matador Records).

E, obviamente, esta forma de apreciar o álbum pode ser feita com cada música, desde a sufocante entrada com “Untitled”, passando pela agitadíssima “Say Hello to the Angels”, terminando na catártica “Leif Erikson”. O disco todo é primoroso e não foi surpresa no final de 2002 quando apareceu com destaque nas principais listas de melhores do ano. Em fato, por mais que a banda mantenha sempre um alto nível em suas obras (já são cinco belos álbuns em sua coleção), podemos dizer que ela nunca foi tão enaltecida quanto por sua impactante estreia.

Terminamos o post da mesma forma que termina o disco: com a melhor música do indie rock nos anos 2000 (eu sei, eu falo pra isso pra todas):

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Killian’s tape #5

Mais uma vez viemos trazer um resumo do que aconteceu no mês em uma única playlist!

Desta vez trouxemos pequenas resenhas dos lançamentos de Phoenix, Waxahatchee, Broken Social Scene e Cigarretes After Sex. Conversamos sobre um som clássico do The Clash, “Rock The Casbah” e apresentamos um pouco da música feita por Devendra Banhart, representado aqui por “Linda”. Também analisamos mais profundamente o álbum novo da banda Chastity Belt, que combina muito com o som da brasileira In Venus, que aparece na playlist com “Mother Nature”. Por fim, decidimos colocar aqui dois lançamentos que amamos: “Good God Damn” do Arcade Fire e “The System Only Dreams in Total Darkness”, do sempre bom The National.

Dê o play e aproveite!

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